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Reconheci o seu rosto na multidão. De alguma forma, ele destacou-se, mesmo que a história não fosse a minha. O sorriso habitava naquele rosto, sincero talvez, mas apenas me lembrei das lágrimas deitadas por ela no dia em que a deixaste - a ela e ao fruto do vosso amor, como se nada fosse, como se fosse apenas de alguém que se conheceu à meros momentos e não alguém de anos e com quem partilhaste uma história de amor. Foi amor da parte dela, não tua - tu trocaste-a como se nada estivesse no teu coração, apenas a ânsia de ter alguém novo que, suponho, dizes amar. Talvez não ames, talvez o que ames é a ti próprio, narcisista, que espera ter os seus desejos realizados e os seus caprichos cumpridos. Não te conheço, não sei o que te move, mas soube da dor dela, soube de parte da tua história. Não sei como termina, nem sei como começou; apenas espero que saibas o que estás a fazer, afinal de contas, a vida segue em frente. E, por ela, espero que aconteça; para ela, desejo-lhe a felicidade. 

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