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14
Dez17

Faz de conta

Faz de conta que ainda me amas e que me queres. Faz de conta, e diz-me palavras doces ao ouvido. Mente-me e não me mintas. Querer-me como quem deseja o calor de um corpo de uma mulher para lhe aquecer nas noites frias. Querer-me, vai falando comigo e depois deixa que o silêncio se infiltre novamente entre nós, afundando o abismo existente. Faz de mim a tua criança onde lhe dás um doce e ela torna-se recetiva a ti novamente, como se os anos que se passaram não significassem nada, e tudo tenha acontecido apenas ontem. Faz de conta que me queres; faz de conta que nunca me esqueceste e não me queres deixar novamente. Faz de conta que sempre habitei no teu coração e que te dói não me teres vinculada a ti. Faz de conta que me queres, faz-me acreditar que o futuro pode existir entre nós novamente. Faz-me acreditar nas possibilidades que teremos. 

Faz-me acreditar em ti novamente. Faz-me apaixonar-me por ti novamente; e quebra-me novamente. Já lhe perdi a conta de quantas vezes me partiste o coração. Porque o teu cheiro ainda me intoxica, ainda me sufoca e tolda a mente. Olha dentro dos meus olhos e mostra o teu desejo ao olhar para os meus lábios. Faz de conta que ainda me queres beijar. Faz de conta, vou acreditar em ti como o desejo do meu coração. Faz de conta que me amas, e eu vou amar-te por ti e por mim.

Faz de conta é um conto imaginário - não o tornes real, por favor. 

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27
Out17

cheiro

As tuas roupas ainda contêm algum do teu cheiro. Mas, caramba!, sinto falta do teu próprio cheiro, do cheiro que ficava na tua passagem pela casa. Em cada canto, sinto-te pela casa, nesta ausência física. Nunca deixaste-me abandonada nesta vida - sinto-me tão perto de ti e tu tão perto de mim. Mas como te queria aqui, sentir os teus braços a envolver-me, sentir o teu calor próximo do meu corpo. E o teu cheiro, o teu cheiro é o que mais falta me faz. Cheirava a casa, a segurança - como se fosses a própria personificação da minha segurança, como a minha tábua da salvação e só a ti me pudesse segurar. Sinto falta do teu cheiro; cheiro efémero que se perde nas tuas roupas guardadas. Sinto a tua falta.

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Não quero falar - nem sobre o assunto nem sobre ti. É passado, eu sei; é história, ainda que, por vezes, morra de saudades de ti. E é nesses momentos que recordo a sensação dos teus braços a envolverem-me, o teu cheiro a envolver-me, o amor que sentia no coração. Seguiste em frente, assim como eu  - mesmo que por vezes sinta que nunca deixei o passado, que nunca te deixei. Mas diz-me, ainda te lembras de mim? Quando a beijas, quando te deitas após um dia, na paz do teu quarto, lembraste de mim? Sei que nunca verei estas perguntas respondidas, e talvez seja melhor assim. Mas é nos momentos de melancolia que a dúvida, que as perguntas, que o teu fantasma decide assombrar-me. Não posso viver no passado, do "se", sei-o mais do que ninguém. Por isso fico com dúvidas e qual a resposta a uma simples pergunta: "como se esquece um amor?"

Talvez tenha de enterrar o teu fantasma e eliminar as saudades tuas que me assombram. Talvez tenha de me apaixonar novamente. Não sei. Não quero falar porque me faz sentir triste. E peço desculpa por falar sobre isto quando já estás noutra, a viver o presente. Mas, tal como sabes, o vencedor leva tudo após o jogo. O vencedor leva tudo - incluindo corações quebrados. Os vencido quebram o coração, e aprendem a viver assim. 

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09
Ago17

inconclusões

Queria dar-te uma resposta definitiva e saber qual o caminho que o meu coração que dirigir. Navego entre a incerteza e o querer-te constantemente. Entre afastar-se e aproximar-te de mim até que me fundas nos ossos. Entre o medo e a coragem. Quero-te, mas não te quero. Desejo-te, mas não te desejo.

És como uma droga; quando mais te quero, mais me matas por dentro. Respiro-te, mas expelo o fumo que me mancha os pulmões. És o cigarro que beija nos lábios, mas mata-me aos bocadinhos. Não sei se te deixe ficar dentro de mim ou se te expulse com uma batida de coração. És tudo o que quero, mas não o que necessito. És a vida no coração e a morte no corpo. És veneno, és droga; mas, raios!, como estou viciada em ti. 

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04
Ago17

peso morto

Tentou-se puxar, impedir que mergulha-se em águas profundas e deixar de ser visto. Mas o peso, como era pesado! Não queria lutar, não conseguia mais sobreviver; algo morreu dentro dela, algo se quebrou sem se saber se voltará a unir-se a curar-se por completo. Era mais um peso morto. (E talvez esse peso morto fosse eu.)

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